Mais um autoral (ou omnia vanitas. ou Me:more. ou vanity of vanities)

Esse trabalho, originalmente intitulado Omnia Vanitas, nasceu de um projeto onde eu tentava homenagear (cof emular cof) através de fotos o trabalho da ilustradora Laurie Lipton. 

Poderia ter parado por aí, mas durante uma leitura de portfolio no FestFotoPOA em 2015, mostrei displicentemente esse material para Irina Chmyreva, pesquisadora, curadora e co-fundadora/diretora do Photovisa, um dos maiores festivais de fotografia da Rússia.

(Eu não pesquisei para saber se o Photovisa é realmente um dos maiores festivais de fotografia da Rússia mas eu gosto de acreditar que sim, então essa definição fica.)

Naquele mesmo ano, Irina me convidou para participar do festival, e dentre os projetos que eu havia mostrado, selecionou o Omnia Vanitas para ser exibido em exposição solo como parte do programa.

Lá (lá sendo Krasnodar, no sul da Rússia) eu descobri lendo meu texto de parede (feito pela minha analis—nem vamos entrar aí), que meu trabalho se chamava Me:More. E que quando as fotos apareciam com legendas (como por exemplo, no site do festival que eu linkei logo acima), elas tinha sido traduzidas automaticamente como "Vanity of Vanities". E que no catálogo do festival (aqui em pdf) elas estavam identificadas como Omnia Vanitas I, II, III...

A experiência foi incrível e qualquer hora falo mais sobre ela. Por enquanto fiquem com as fotos.
 

 E se você curte moda, quem modelou essa coluna vertebral com toda a classe e elegância do mundo foi a Alícia Kuczman

E se você curte moda, quem modelou essa coluna vertebral com toda a classe e elegância do mundo foi a Alícia Kuczman

12 caixas de spectra

Em 2015, me escreve a vizinha de cima: "corre no lixo do prédio do lado, tem polaroid!"

Tinha mesmo.
Tinha 12 caixas de Spectra, lacradas e vencidas em 1996.

Meu coração se partiu em mil pedaços ao deslacrar cada caixa e dar de cara com aquele material tão precioso que tinha sido castigado, esquecido na prateleira mais baixa da estante — não tô conjecturando aqui para fins de dramatização, na calçada tinha também uma daquelas estantes de metal toda torta jogada ali de qualquer jeito, apoiada no poste — e eu decidi que precisava fazer algo com aquilo tudo.

Meses de geladeira depois, comprei algumas (mentira, 120 cores) linhas de algodão, luvas cirúrgicas, uma assinatura do Spotify, agulhas e parti para a obra que você pode ver abaixo... 

Olha ali a química toda craqueladinha de manusear a foto...

era uma vez um monte de baldes

Fiz esse autoral no final de 2013, em São Paulo, auxiliada por um grupo de amigos e muitos baldes d'água.
O plano era uma série de autorretratos (Marina, água, sacou?), mas nunca saiu desse estudo com outra modelo — quem se situou cronologicamente já lembrou que nessa época teve início o racionamento de água no estado e: levar multa, ninguém quer.

Ainda assim gosto muito do tema e das fotos. Quem sabe mais para frente ele volta? : )