NÃO DERRUBANDO NADA — EM DOBRO — COM DESALMADO E SURRA NO CCJ

A história de hoje não vai surpreender ninguém, dado o padrão aqui já estabelecido, mas: ontem passei pelo desafio de não derrubar nada no palco do CCJ com duas bandas em cima dele (Surra e Desalmado). Duas vezes mais cabos e fios, duas vezes mais coisas para serem derrubadas. Duas bandas e mais o público de ambas com permissão (e incentivo) pra subir no palco. Fotografar tudo isso desviando do dobro de pessoas e saindo do quadro do vídeo — enquadrando e focando tudo em contraluzes que vinham de todos os lados, e juro: de cima e de baixo também.

Foi uma boa oportunidade pra colocar em ação um truque antigo que eu não usava em show há uma boa década: a foto em preto e branco pra controlar a bagunça.

surralmado_pb_4.jpg

Uma coisa que a foto em P&B facilita muito pra mim é manipular o uso de espaço negativo — mesmo quando parece que não é tanto espaço assim — simplesmente pra dar uma desafogada na quantidade de informação da imagem. Eu jogo um gradiente preto e voilà.

Eu costumava usar muito P&B em dupla exposição também, pelo mesmo motivo, e no caso de ontem era literalmente informação demais — se eu não prestasse atenção no que tava fazendo, ia acabar com quatro baterias na foto (sim, imagina tudo isso + o pânico de tropeçar em algo e fazer uma performance de dominó + a frustração de perder a foto enquanto cai de cara no chão).

 O   Leeo   nunca vai admitir, mas sentou pra não tropeçar em fio…

O Leeo nunca vai admitir, mas sentou pra não tropeçar em fio…

E já que, assim como eu consegui chegar ao final do show sem derrubar nada, você conseguiu chegar até aqui (obrigada), toma mais foto, agora em cores:

 Não se deixe enganar pelo design duvidoso dessa camiseta do Celtic Frost, o   Gui   é responsável pelo cartaz do show, bonitão, aqui embaixo.

Não se deixe enganar pelo design duvidoso dessa camiseta do Celtic Frost, o Gui é responsável pelo cartaz do show, bonitão, aqui embaixo.

não caindo de 18 andares na paulista com o Besta

É isso aí mesmo: dezoito andares, em cima da Paulista, assistindo à formação de um temporal e com a missão de fazer promos e uma foto de capa pro disco ao vivo do Besta em São Paulo — que saiu hoje! — aos 45' do segundo tempo (às vésperas da volta da banda pra Portugal).

Depois de uma tarde semi-gastro-turística de sucesso (testemunhando roubos de celular e possíveis perseguições policiais) e com a foto da capa já decidida, foi hora de tomar decisões erradas e subir a Augusta inteira em pleno mês de fevereiro, só pra todo mundo chegar ensopado de suor na Paulista, bem na hora do vendaval insano que precedia a chuva.

Vendaval esse, que fez 90% das fotos virarem basicamente um coletivo de vultos com cabelos selvagens voando pra todo lado.

O que sobrou, quando os europeus finalmente já tinham se habituado a ver São Paulo de cima pela câmera do celular, segue abaixo.

 

temporal de verdade, não era hipérbole

bônus de beijo acidental em flor : )

não derrubando nada em Londres com o Sepultura — a saga segue em versão internacional

Mentira.
Não tinha nada pra derrubar em Londres com o Sepultura — mas só porque eu não subi no palco.

Fotografei do pit da KOKO, uma (hoje) casa de shows aberta como teatro em 1900. 

De lá pra cá, o prédio em Camden Town teve um monte de nome e um monte de função e abrigou bandinhas fuleiras tipo The Clash e Rolling Stones (com direito a disco ao vivo), foi palco pro primeiro show da Madonna no Reino Unido, e o Bon Scott foi visto na área enchendo a cara — pela última vez. A Disney também usou o lugar pra fazer um Hannah Montana Live in London mas essa parte a gente vai deixar aqui no final do parágrafo porque ninguém vai ler mesmo.

A última (única) vez em que eu tinha fotografado com limite de três músicas foi no Lollapalooza de 2015* então eu tava desacostumada (sou inexperiente) e confesso que queria pelo menos mais 10 minutos por ali, mas fiquei satisfeita com o resultado. 

*essas fotos do Lolla eu vou colocar aqui um dia — não tem porquê falar "em breve" já que três anos se passaram né.

lá fora -1ºC e neve...

não derrubando nada na malagoli — a saga segue

Em mais um episódio de "lá vou eu pra um lugar onde corro o risco de derrubar ou tirar algo da tomada", em fevereiro fui fotografar os bastidores desse vídeo, lá na Malagoli.

A ideia era registrar o processo de um captador nascendo (que leva alguns dias), mas em cerca de uma hora. Então óbvio que em alguns momentos foi preciso apelar pra técnica de bolo da Ana Maria Braga; "essa etapa leva X horas mas a gente tem um pronto aqui".

Enquanto tudo ia sendo explicado e eu ia me reacomodando, consegui não derrubar nada, invadir minimamente o quadro e também entendi uns 30% do que foi discutido — uma vitória pra mim já que envolvia ciência, daquelas de verdade.

Abaixo, um pouco de tudo.

Eles inclinados um na direção do outro, eu colada na parede e prendendo a respiração...

o estúdio do krisiun e o dia em que eu não derrubei nada

Esse aí abaixo é o estúdio do Krisiun em São Paulo e eu tava lá com a função de fotografar enquanto um vídeo (que você pode ver aqui) era filmado. Algo bem simples em teoria.

Então saí de casa com metas que se resumiam a fazer imagens de bastidores e tentar:

  1. não tropeçar em nada;

  2. não tirar nada na tomada tropeçando;

  3. não derrubar nada;

  4. não espirrar no meio do vídeo;

  5. não derrubar nada me desequilibrando por causa de um espirro;

  6. não cair em cima da bateria ao tentar re-enquadrar;

  7. não cair em cima da bateria ao tentar não cair em cima da bateria etc


Com toda a concentração que isso exigia, fiquei muito feliz por conseguir lembrar de fazer algumas duplas exposições — esse pedacinho do meu cérebro costumava ser ativado só em shows — e fiquei bem satisfeita com o resultado : )

Eu tropeçaria em tudo ao trocar de lugar, então fiquei quietinha da cintura pra baixo. Sou dessas.