não derrubando nada em Londres com o Sepultura — a saga segue em versão internacional

Mentira.
Não tinha nada pra derrubar em Londres com o Sepultura — mas só porque eu não subi no palco.

Fotografei do pit da KOKO, uma (hoje) casa de shows aberta como teatro em 1900. 

De lá pra cá, o prédio em Camden Town teve um monte de nome e um monte de função e abrigou bandinhas fuleiras tipo The Clash e Rolling Stones (com direito a disco ao vivo), foi palco pro primeiro show da Madonna no Reino Unido, e o Bon Scott foi visto na área enchendo a cara — pela última vez. A Disney também usou o lugar pra fazer um Hannah Montana Live in London mas essa parte a gente vai deixar aqui no final do parágrafo porque ninguém vai ler mesmo.

A última (única) vez em que eu tinha fotografado com limite de três músicas foi no Lollapalooza de 2015* então eu tava desacostumada (sou inexperiente) e confesso que queria pelo menos mais 10 minutos por ali, mas fiquei satisfeita com o resultado. 

*essas fotos do Lolla eu vou colocar aqui um dia — não tem porquê falar "em breve" já que três anos se passaram né.

lá fora -1ºC e neve...

não derrubando nada na malagoli — a saga segue

Em mais um episódio de "lá vou eu pra um lugar onde corro o risco de derrubar ou tirar algo da tomada", em fevereiro fui fotografar os bastidores desse vídeo, lá na Malagoli.

A ideia era registrar o processo de um captador nascendo (que leva alguns dias), mas em cerca de uma hora. Então óbvio que em alguns momentos foi preciso apelar pra técnica de bolo da Ana Maria Braga; "essa etapa leva X horas mas a gente tem um pronto aqui".

Enquanto tudo ia sendo explicado e eu ia me reacomodando, consegui não derrubar nada, invadir minimamente o quadro e também entendi uns 30% do que foi discutido — uma vitória pra mim já que envolvia ciência, daquelas de verdade.

Abaixo, um pouco de tudo.

Eles inclinados um na direção do outro, eu colada na parede e prendendo a respiração...

o estúdio do krisiun e o dia em que eu não derrubei nada

Esse aí abaixo é o estúdio do Krisiun em São Paulo e eu tava lá com a função de fotografar enquanto um vídeo (que você pode ver aqui) era filmado. Algo bem simples em teoria.

Então saí de casa com metas que se resumiam a fazer imagens de bastidores e tentar:

  1. não tropeçar em nada;
  2. não tirar nada na tomada tropeçando;
  3. não derrubar nada;
  4. não espirrar no meio do vídeo;
  5. não derrubar nada me desequilibrando por causa de um espirro;
  6. não cair em cima da bateria ao tentar re-enquadrar;
  7. não cair em cima da bateria ao tentar não cair em cima da bateria etc


Com toda a concentração que isso exigia, fiquei muito feliz por conseguir lembrar de fazer algumas duplas exposições — esse pedacinho do meu cérebro costumava ser ativado só em shows — e fiquei bem satisfeita com o resultado : )

Eu tropeçaria em tudo ao trocar de lugar, então fiquei quietinha da cintura pra baixo. Sou dessas.

Mais um autoral (ou omnia vanitas. ou Me:more. ou vanity of vanities)

Esse trabalho, originalmente intitulado Omnia Vanitas, nasceu de um projeto onde eu tentava homenagear (cof emular cof) através de fotos o trabalho da ilustradora Laurie Lipton. 

Poderia ter parado por aí, mas durante uma leitura de portfolio no FestFotoPOA em 2015, mostrei displicentemente esse material para Irina Chmyreva, pesquisadora, curadora e co-fundadora/diretora do Photovisa, um dos maiores festivais de fotografia da Rússia.

(Eu não pesquisei para saber se o Photovisa é realmente um dos maiores festivais de fotografia da Rússia mas eu gosto de acreditar que sim, então essa definição fica.)

Naquele mesmo ano, Irina me convidou para participar do festival, e dentre os projetos que eu havia mostrado, selecionou o Omnia Vanitas para ser exibido em exposição solo como parte do programa.

Lá (lá sendo Krasnodar, no sul da Rússia) eu descobri lendo meu texto de parede (feito pela minha analis—nem vamos entrar aí), que meu trabalho se chamava Me:More. E que quando as fotos apareciam com legendas (como por exemplo, no site do festival que eu linkei logo acima), elas tinha sido traduzidas automaticamente como "Vanity of Vanities". E que no catálogo do festival (aqui em pdf) elas estavam identificadas como Omnia Vanitas I, II, III...

A experiência foi incrível e qualquer hora falo mais sobre ela. Por enquanto fiquem com as fotos.
 

 E se você curte moda, quem modelou essa coluna vertebral com toda a classe e elegância do mundo foi a Alícia Kuczman

E se você curte moda, quem modelou essa coluna vertebral com toda a classe e elegância do mundo foi a Alícia Kuczman

12 caixas de spectra

Em 2015, me escreve a vizinha de cima: "corre no lixo do prédio do lado, tem polaroid!"

Tinha mesmo.
Tinha 12 caixas de Spectra, lacradas e vencidas em 1996.

Meu coração se partiu em mil pedaços ao deslacrar cada caixa e dar de cara com aquele material tão precioso que tinha sido castigado, esquecido na prateleira mais baixa da estante — não tô conjecturando aqui para fins de dramatização, na calçada tinha também uma daquelas estantes de metal toda torta jogada ali de qualquer jeito, apoiada no poste — e eu decidi que precisava fazer algo com aquilo tudo.

Meses de geladeira depois, comprei algumas (mentira, 120 cores) linhas de algodão, luvas cirúrgicas, uma assinatura do Spotify, agulhas e parti para a obra que você pode ver abaixo... 

Olha ali a química toda craqueladinha de manusear a foto...